Presidente municipal do DEM diz que segmentar votação em quatro dias poderia interferir no resultado das eleições

O presidente municipal do DEM, o vereador Duda Sanches, rechaça a possibilidade de dividir a votação das próximas eleições municipais em dois fins de semana seguidos. A possibilidade é estudada pelo próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

A proposta consistiria em segmentar as próximas eleições municipais em quatro dias – dois sábados e domingos consecutivos. Em entrevista ao BNews no início da tarde desta quarta-feira (6), Sanches avalia a possibilidade como extremamente danosa, e opina que, se implantada, poderia “ferir” a democracia e interferir no resultado do sufrágio. 

“Na política, costumamos dizer que muitas eleições são definidas no dia anterior”, argumenta. Ele se refere à realização das chamadas pesquisas “boca-de-urna” – realizadas tradicionalmente na véspera dos sufrágios com autorização da Justiça Eleitoral -, e que teriam suas dinâmicas afetadas por uma eleição realizada em dois finais de semana.

Para o democrata, quatro dias diferentes de votação possibilitaria que o candidato que não se saiu bem na largada do processo pudesse – identificando que está em desvantagem -, rever estratégias e se reinventar nos dias anteriores ao final da eleição, concentrando esforços em um determinado seguimento do eleitorado, por exemplo.

“Acredito que isso seja injusto. É como se você tivesse metade do resultado eleitoral em um dia e desse mais uma semana para o retardatário se recuperar. É um pouco complicado. Não sei se isso acontece em outro lugar do mundo. Se acontecer, temos que pensar se é saudável”, pondera.

Outras saídas

Por outro lado, Sanches avalia que a possibilidade de organizar a votação por faixas de horário definidas pela idade dos eleitores lhe soa mais “inteligente” – embora duvide da operacionalidade da medida. Barroso, que toma posse no próximo dia 25, também trabalha com essa possibilidade.

O dirigente acredita que outra opção, “menos danosa”, seria o TSE organizar o eleitorado de diferentes idades por locais de votação. “Fazer um apanhado dos locais de votação, e uma modificação nas zonas eleitorais. Evitar que eu, com 29 anos, vote no mesmo lugar de uma pessoa do grupo de risco. Isso possibilitaria a realização das pesquisas boca-de-urna, e seria um modelo parecido com o sistema que já conhecemos”, sugere. 

Ele acrescenta, contudo, que nenhuma dessas saídas garantiria um equilíbrio pleno para o processo eleitoral. Sanches – assim com Barroso, e o presidente municipal do PT, Ademario Costa – se declara contrário à prorrogação dos mandatos de prefeitos e vereadores.

Para o vereador, uma eleição unificada em 2022 seria dificultada por contexto no qual a implantação da biometria impõe um ritmo mais lento para o processo de votação. Ele também pondera que a quantidade de candidatos e cargos – sete ao todo – confundiria o eleitorado. Barroso espera que se for realmente necessário postergar a votação, isso represente um atraso de poucas semanas. O primeiro fim de semana de dezembro é considerado a data-limite para o ministro.  Sanches, avalia que essa pode ser uma boa alternativa.

“Muitas cidades, não é o caso de Salvador, possuem prefeitos e vereadores muito mal avaliados. Não é justo com esses municípios castiga-los com mais um ano, dois anos, desses gestores. […] Geralmente, o governador eleito arrasta, consegue contaminar as pessoas para fazer uma maioria nas assembleias legislativas. É natural que isso aconteça. Como isso vai ser? Será que o presidente eleito vai contaminar Estados e municípios também? Será que esse processo será democrático? São discussões colocadas a prova, sobre a democracia ser conservada, assim como o equilíbrio das cidades”, argumenta.

Pré-campanha

Antes do início da pandemia do novo coronavírus – e até mesmo do carnaval -, o DEM acabou saindo na frente da concorrência na capital baiana, ao oficializar a pré-candidatura do vice-prefeito, e secretário municipal de Infraestrutura, Bruno Reis no início de janeiro. Ainda assim, a crise provocada pela Covid-19 acabou puxando o freio de mão no período de pré-campanha.

Questionado sobre as possibilidades disponíveis para se aproximar do eleitorado em tempos nos quais o distanciamento social é recomendado por todas as autoridades oficiais de saúde, Sanches respondeu que quem utilizar melhor as redes sociais naturalmente sairá na frente. 

“Estamos tendo que reinventar a forma de fazer política – e não sabemos se isso é bom ou ruim. A comunicação virtual nunca foi tão necessária. Muitos nunca haviam ouvido falar sobre as lives até pouco tempo atrás, e hoje a gente abre a rede social e encontra uma série delas acontecendo, abordando os mais diversos assuntos. As pessoas estão aprendendo a se comunicar e dissipar suas informações para públicos gigantescos”, conclui.

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