Prefeitos que foram vereadores. O fluxo da história pode se repetir com o Dep. Pastor Tom, Roberto Tourinho, Fernando Torres ou Zé Neto já em 2020?

Por Cloves Pedreira

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Abdon Alves de Abreu (1873) 
Contrariando o provérbio, perdeu e levou
A história de vida do coronel Abdon Alves de Abreu, feirense nascido em 30 de julho de 1847 e falecido em 26 de outubro de 1914, é uma mistura equilibrada entre a política, o serviço público e a atividade militar. Elegeu-se vereador em 1873, quando Feira de Santana foi elevada à condição de cidade. Foi intendente em situação peculiar, no período de 1908 a 1912. Após perder a disputa eleitoral com o também coronel Bernardino Bahia, usou a influência governamental e tomou posse no cargo no mesmo dia do vencedor. Durante alguns meses os dois governaram o Município até que um acordo negociado pelo Governo do Estado estabeleceu que a gestão fosse dividida. Não se tem conhecimento de obras na gestão do intendente Abdon, que mais tarde viria a denominar a rua principal do bairro Queimadinha. Fora da política, foi comandante da Guarda Nacional, participou das guerras do Paraguai e de Canudos e exerceu várias funções públicas, dentre as quais juiz de paz e suplente de juiz federal.

Almáchio Alves Boaventura (1948-1951) 
O privilégio de estar entre os primeiros
No dia 16 de março de 1948 Almáchio Alves Boaventura, o fundador do “Diário de Notícias” diplomado em Magistério pela Escola Normal Rural – nunca exerceu o ofício de professor – tomava posse como vereador de Feira de Santana pelo PSD. Com expressivos 6.879 votos, ele integrava, a partir de então, a primeira legislatura. Eleito prefeito, governou a cidade de 1951 a 1955. Dentre as suas realizações destacam-se a terraplenagem do primeiro Estádio Municipal, que levou o seu nome, inaugurado em 1953; inauguração da nova sede da Filarmônica Euterpe; emancipação do distrito de Tanquinho; criação do distrito de Jaíba e desapropriação das terras para instalação de novas unidades industriais. Outros registros importantes durante o seu mandato foram a chegada dos frades capuchinhos para Feira de Santana.

Edelvito Campello de Araújo (1948-1951) 
Um advogado na Prefeitura
Nascido em Ubaíra e graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Edelvito Campello de Araújo veio para Feira de Santana em 1944, para exercer a advocacia. Antes foi delegado especial e diretor da Penitenciária Estadual de Santa Catarina. Foi secretário no governo de João Barbosa de Carvalho, a quem substituiu após sua morte, de 20 de maio a 06 de junho de 1947. Foi eleito vereador pelo PSD na primeira legislatura após a redemocratização do país, ocupando a presidência da Câmara Municipal durante todo o período legislativo de 16 de maio de 1948 a 31 de janeiro de 1951. Foi o primeiro presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Feira de Santana.

Aguinaldo Soares Boaventura (1951-1955) 
Livros, comércio e administração pública
Aguinaldo Soares Boaventura chegou a Feira de Santana aos 10 anos de idade, vindo de Santo Amaro da Purificação. Autodidata, aos 14 anos começou a adquirir livros, chegando a compor um acervo de 10 mil exemplares, que foi doado à Biblioteca Municipal. Construiu a própria formação, tornando-se admirador da cultura grega – seus filhos têm nomes de heróis gregos – e aprendeu a falar fluentemente várias línguas, como Inglês, Francês, Espanhol e Italiano. Com a morte do pai assumiu os negócios da família (comércio de cereais). Na política elegeu-se prefeito após a redemocratização, sendo o primeiro eleito em Feira de Santana, em 1948. Permaneceu no cargo até 1951, período em que beneficiou muito o homem do campo, construindo estradas. Iniciou a construção da BR-324, inaugurou a Rio-Bahia em sua gestão (1950) e deu início à construção da Escola Normal de Feira. Recebeu na cidade o então candidato à Presidência da República, Getúlio Vargas, que visitou Feira em plena campanha política, em 1950. Construiu dois mercados municipais, um em Almas, hoje Anguera e outro em Tanquinho, que na época eram distritos de Feira de Santana, e ambos levam o seu nome. Em 1951, elegeu-se vereador pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN).

Francisco Barbosa Caribé (1951-1955) 
Um interventor moderno e extrovertido“Chiquinho Caribé”. Assim era conhecido o extrovertido comerciante do ramo de tecidos Francisco Barbosa Caribé, construtor da Galeria Caribé, na década de 50, obra do não menos famoso arquiteto Amélio Amorim. Chamava a atenção pelas badaladas festas que promovia, reunindo convidados ilustres, especialmente artistas, lideranças políticas e intelectuais da Bahia e de outros estados brasileiros. Foi presidente do Rotary Club de Feira de Santana (1958-1959). Foi prefeito no período do sistema de interventorias e em 1947 conduziu o processo eleitoral que elegeu o primeiro prefeito depois da redemocratização. Uma de suas realizações foi a pintura da estátua de bronze de Padre Ovídio, na praça que leva o nome do religioso. Foi vereador entre 1951 e 1955.

Francisco José Pinto dos Santos (1951-1955) 
O grande líder da democracia
O nome de Francisco José Pinto dos Santos – ou simplesmente Chico Pinto – está associado ao nome de Feira de Santana de forma absoluta. Feirense de nascimento, advogado formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), foi eleito vereador quando ainda era estudante (1951 a 1955) pelo PSD e ocupou a secretaria da Câmara Municipal durante quatro anos. Na época não havia remuneração, mas ele vinha de Salvador duas vezes por semana, religiosamente, para as sessões. Fez parte da comissão que esteve com o então presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, para reivindicar rede de água para Feira de Santana. A obra começou, mas foi interrompida com a morte de Vargas e reiniciada no governo de Juscelino Kubitscheck, que veio para a inauguração tempos depois. Tornou-se prefeito em 1962, pelo PSD, assumiu o cargo em abril de 1963 e foi deposto pela Revolução de 1964. Apesar do curto período da administração, deixou um saldo positivo de realizações: início das obras do Ginásio Municipal, elaboração do primeiro Código Tributário do Município, instalação da Farmácia do Povo e asfaltamento da rua Marechal Deodoro, dentre outras. Esteve preso e voltou à Câmara Federal em 1978, depois de absolvido pelo governo Geisel, sendo o deputado mais bem votado da Bahia. A sua vida de luta pela democracia o tornou um grande líder liberal. Sua oratória era extremamente empolgante.

Heráclito Dias de Carvalho (1951-1955) 
Visão grandiosa e primeira Micareta
Ele veio de Tanquinho para Feira de Santana e fez história na cidade. Heráclito Dias de Carvalho, conhecido como Lolô, era dono de importante armazém de fumo que classificava os tipos de produto para exportação em larga escala, atividade comercial que lhe garantia posição de destaque. Foi eleito vereador pela UDN (1951 a 1955). Exerceu o cargo de prefeito duas vezes (1935 a 1937 e 1938 a 1943). Um marco de sua administração de estréia foi a realização da primeira Micareta, em março de 1937, festa que posteriormente se tornou referência para Feira de Santana. Houve também uma Feira de Gado recorde, que reuniu mais de cinco mil bois, em maio de 1936. Um homem público de visão acumulou realizações como gestor: abertura de estradas para Serrinha e Jequié, elaboração do Código de Postura do Município, construção e inauguração dos currais-modelo (com a presença do jornalista Assis Chateaubriand) e início da construção da rodovia Rio-Bahia.

Colbert Martins da Silva (1955-1963) 
O estilo popular de governar
Político por vocação, o odontólogo de Macajuba formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) chegou a exercer a profissão em Feira de Santana durante alguns anos. Mas a realização veio mesmo com a carreira pública. O grande líder do MDB (depois PMDB) foi secretário no governo de Francisco José Pinto dos Santos. A partir daí, viveu uma sucessão de vitórias: três mandatos de vereador, dois de deputado estadual e prefeito de Feira de Santana também por duas vezes, tornando-se referência pelo estilo popular de governar. A transferência da estrutura administrativa para bairros e distritos foi um dos pontos altos dos períodos em que administrou o Município. Dentre as suas realizações deixou o Planolar, destinado à construção de casas populares para pessoas de menor poder aquisitivo, e o asfaltamento da segunda pista da BR-324 (rua Monsenhor Mário Pessoa), no trecho entre a praça Jackson do Amaury e a avenida Francisco Pinto, obra muito dispendiosa por causa das indenizações das casas particulares e comerciais, porém de extrema necessidade para melhorar o escoamento do trânsito e evitar acidentes. Outro grande marco foi a construção do Hospital Ignácia Pinto dos Santos – o Hospital da Mulher – no bairro Jardim Cruzeiro.

João Durval Carneiro (1955-1963) 
A obstinação de um sertanejo
Escolas, avenidas, aeroporto e até distrito levam o seu nome. Não é para menos. Nascido no antigo distrito de Ipuaçu no dia 8 de maio de 1929, João Durval Carneiro é um dos mais legítimos políticos feirenses. Fez o segundo grau no Colégio Santanópolis e graduou-se em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), profissão que exerceu por algum tempo, antes de dedicar-se à atividade comercial e à carreira pública, quando ocupou a diretoria do Centro de Desenvolvimento Industrial (Cedin), órgão depois vinculado à Secretaria de Indústria e Comércio. Ingressou na política através da UDN, passando a integrar outros partidos posteriormente: Arena, PDS, PMN, PDT. Foi vereador por várias vezes, sendo o primeiro mandato exercido de 1954 a 1958 e prefeito de Feira de Santana duas vezes (1967 a 1971 e 1993 a 1994). Interrompeu o segundo mandato para disputar a eleição estadual, pelo PMN. No Legislativo exerceu ainda dois mandatos de deputado federal e em 2006 foi eleito senador pela Bahia. Elegeu-se governador da Bahia (1983 a 1987), quando fez muitos empreendimentos na capital e no interior. Durante a sua administração, o Estado canalizou todos os esforços e recursos para a construção do complexo de abastecimento de água de Pedra do Cavalo – com barragem e adutora para suprir de água a capital baiana, Feira de Santana e outras localidades – a maior obra no Nordeste, naquele período. Combateu a seca com o programa de construção de poços artesianos, investiu na recuperação de equipamentos no setor de transporte e estimulou o desenvolvimento industrial. Como bom brasileiro – e sertanejo – fez da obstinação uma virtude e mesmo em momentos adversos nunca desistiu. Por último foi senador da República.

Altamir Alves Lopes (1959-1967) 
O servidor público que substituiu Chico Pinto
Professor por formação, diplomado pela Escola Normal, Altamir Alves Lopes exerceu o Magistério por pouco tempo, na Escola João Florêncio, prédio que posteriormente passou a ocupar o Arquivo Municipal. Foi como servidor público municipal, na função de escriturário, que ele se firmou no mercado do trabalho. Ingressou na carreira política por influência de amigos, como Jackson do Amaury, Paulo Cordeiro e Joselito Amorim e certamente não imaginava que viria a fazer parte de um período de destaque da história política de Feira de Santana. Foi eleito vereador e exerceu o mandato por duas legislaturas, abrangendo o período de 1959 a 1967. No exercício do mandato, foi presidente da Câmara entre 1963 e 1964. O então prefeito, Francisco Pinto José Pinto dos Santos, foi deposto por ocasião da Revolução de 1964 no dia 6 de maio de 1964 e ele assumiu o Governo, permanecendo até 1965, quando o professor Joselito Amorim foi nomeado prefeito. Após o mandato, ele exerceu o cargo de avaliador judicial no Fórum Desembargador Filinto Bastos até aposentar-se.

Joselito Falcão de Amorim (1959-1964) 
Um multiplicador de conhecimentos
Joselito Falcão de Amorim tem uma surpreendente participação na história de Feira de Santana. Como professor de Matemática, multiplicou os conhecimentos de seus alunos no Colégio Estadual, na Escola Normal e no Colégio Santanópolis. Como homem público, deixou marcas indeléveis da competência também em Salvador, na diretoria da Urbis e da Cohab, e também foi o primeiro presidente do Conselho do Tribunal de Contas dos Municípios. Entrou para a política como vereador (UDN) e chegou à presidência da Câmara Municipal. Governou Feira de Santana de maio de 1964 a janeiro de 1967. A relação de obras realizadas no período é extensa, mas algumas merecem destaque: construção do Ginásio Municipal, início da construção do Estádio Jóia da Princesa, inauguração do Museu Regional – com a presença do artista plástico Di Cavalcanti – inauguração do Parque de Exposição João Martins da Silva. É também do professor Joselito Amorim a iniciativa de criar a Associação Comunitária dos Amigos de Feira de Santana.

José Sisnando Lima (1959-1967) 
Paixão pela agricultura
Cearense natural da cidade de Crato, José Sisnando Lima formou-se pela Faculdade de Medicina de Salvador, tornando-se especialista em neuro-psiquiatria. Clinicou em Santa Bárbara, seguindo depois para o sul do Ceará e norte de Minas. Retornou à Bahia e novamente em Santa Bárbara destacou-se pelos investimentos na agricultura, o que lhe garantiu a presidência do Sindicato Rural de Feira de Santana. Foi também médico da Secretaria de Agricultura, supervisor estadual da Merenda Escolar e professor de Biologia. Eleito vereador em 1958, chegou à presidência da Câmara e, nesta condição, substituiu o então prefeito Arnold Silva por quatro meses, no ano de 1962.

Paulo de Almeida Cordeiro (1963-1971) 
Vida de empreendedor
O empresário Paulo de Almeida Cordeiro não se contentava em vender bicicletas e peças em seu estabelecimento comercial e promovia torneios e competições de ciclistas, contemplando os vencedores com prêmios. Foi sócio fundador do Hospital Emec e presidente do Feira Tênis Clube e do Clube de Campo Cajueiro. Como político, elegeu-se vereador pela primeira vez em 1963 e cumpriu três mandatos. Eleito presidente da Câmara Municipal (1964 a 1967), exerceu o cargo de prefeito interinamente, nos períodos de ausência do professor Joselito Amorim.

Jorge Cerqueira Mascarenhas (1967-1973) 
Homenagem inusitada“Seu Jorge da Padaria”, apelido adquirido por conta da tradicional comércio da família, a Padaria da Fé, Jorge Cerqueira Mascarenhas recebeu uma homenagem um tanto inusitada, por correligionários: teve seu nome colocado em um cemitério da cidade (São Jorge), criado por ele. Feirense nascido no distrito de Almas, hoje cidade de Anguera, entrou na política elegendo-se vereador e logo em seguida assumiu a presidência da Câmara Municipal. Por conta do cargo, substituiu interinamente o prefeito Newton Falcão várias vezes. Recebeu homenagem póstuma da Câmara, nomeando uma das dependências.

José Falcão da Silva (1967-1971) 
Um administrador incansável
O apelido de “Zé Festinha”, em nenhum momento, soou em tom pejorativo para o incansável José Falcão da Silva, que desde muito cedo aprendeu a lidar com a necessidade de superação. Ele perdeu os pais aos dez anos de idade e foi criado pelos tios no distrito de Mercês, em São Gonçalo dos Campos, onde frequentou as primeiras séries escolares, antes de vir para Feira de Santana, aos 12 anos. Depois de estudar quatro anos no Seminário Menor de José, em Salvador, continuou os estudos no Colégio Santanópolis, onde concluiu os cursos de Técnico em Contabilidade e Magistério. No mesmo estabelecimento lecionou Latim, Francês e Português. Trabalhou no comércio e tornou-se bancário, sendo funcionário do Banco do Brasil até aposentar-se. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), exerceu a profissão em Feira de Santana e cidades da região. Ingressou na política em 1960 e ocupou uma cadeira na Câmara Municipal em 1967, pelo PMDB. Em 1990 era deputado federal e por três vezes elegeu-se prefeito de Feira de Santana, sendo o último governo interrompido pela sua morte, em 5 de agosto de 1997. Ficou conhecido pelo incentivo às manifestações populares, em especial as festas de rua. Dentre as suas realizações estão o Observatório Antares, o Centro Social Urbano (CSU) na Cidade Nova e o prédio onde funcionava o extinto Iapseb e hoje sedia órgãos da estrutura administrativa municipal. Mas sem dúvidas a sua iniciativa mais marcante foi a construção do Centro de Abastecimento, para onde transferiu a imensa feira livre da cidade, em 1977. A mudança, concretizada por decreto, foi considerada um grande desafio administrativo.

José Ferreira Pinto (1967-1982) 
No mundo da poesia, da música e da política
Ele sempre conta que abriu os olhos para o mundo da leitura por incentivo da tia Zina, no Riacho das Panelas, onde viveu o período da infância. José Ferreira Pinto, Zé Pinto para todos, integra a imensa lista dos ex-alunos do Colégio Santanópolis, para onde foi levado depois de aprender as séries iniciais com as professoras Martiniana, Tita Farias e Domitila. Além de Científico e Contabilidade, fez curso prático de Farmácia, em Salvador. Ele não nega as suas origens, quando começou a trabalhar comercializando pássaros e galinhas nas feiras livres de segunda-feira, na praça João Pedreira. Depois estreou como camelô em frente às Casas Pernambucanas, onde trabalhou posteriormente como balconista. Com a implantação do sistema de transporte coletivo, conseguiu emprego de cobrador, de onde surgiu a ideia de criar um sistema de transporte alternativo, inicialmente com Kombi e depois com micro-ônibus, sendo o pioneiro no setor. Entrou na política e por seis vezes exerceu o mandato como vereador. Começou na gestão de (1967 a 1982), quando atuou com 1º secretário. Como presidente da Câmara Municipal, exerceu o cargo de prefeito por várias vezes substituindo João Durval e, posteriormente, José Falcão da Silva. O comendador Zé Pinto é um homem dotado de muita sensibilidade e faz incursões pelo mundo da poesia e da música.

Luciano Ribeiro dos Santos (1967-1971) 
Educador por vocação
A formação de professor deu a Luciano Ribeiro dos Santos a certeza de que toda a sua vida seria dedicada às atividades educacionais. Ele carregou os conhecimentos acumulados desde as primeiras séries no Seminário Diocesano, o ginasial no Ginásio Tiradentes em Aracaju (SE), e no Colégio Municipal Joselito Amorim, em Feira de Santana, além do Ensino Fundamental, no Colégio Santanópolis, até licenciar-se em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). As atividades trabalhistas também levaram sempre à Educação, seja lecionando Literatura Brasileira, Língua Portuguesa, Redação ou História da Educação, seja atuando como coordenador pedagógico em instituições de ensino públicas e particulares. Exerceu o cargo de Secretário de Educação no período de 1989 a 1992. Foi membro do Conselho Administrativo e presidente do Diretório Acadêmico da Uefs. Exerceu também vários cargos em entidades culturais, a exemplo de presidente da Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana (Scafs) e da Associação Feirense de Críticos Cinematográficos de Feira de Santana (AFCC). Ainda na área cultural dirigiu peças de teatro e promoveu exposições e recitais. Na política atuou como vereador (1966 a 1970); deputado estadual (1978 a 1982); suplente de senador por oito anos e vice-prefeito no segundo mandato de Colbert Martins, substituindo-o em período de licença para tratamento de saúde. Recebeu a Medalha Vereador Dival Figueiredo Machado, em 2004, outorgada pela Câmara Municipal, e a Medalha de Ordem do Mérito Municipal, em 2005, pela atuação na área de Educação. Foi vice-prefeito de José Ronaldo de Carvalho entre 2011 e 2014.

Manoel da Costa Falcão (1967-1969) 
Tradição familiar na política
Seguindo a trilha da família, Manoel da Costa Falcão, pecuarista e industrial de visão, responsável pela implantação do Centro das Indústrias de Feira de Santana (Cifs) – foi seu primeiro presidente – e criação de organismos ligados ao setor, como unidades do Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), teve uma breve, porém destacada participação na história política de Feira de Santana. Vereador no período de 1967 a 1971, o filho de João Marinho Falcão também chegou à Prefeitura. Na condição de presidente da Câmara Municipal, assumiu a função de prefeito várias vezes entre os anos de 1967 e 1969.

Antônio Carlos Daltro Coelho (1970-2004) 
Mais de três décadas como legislador
Desde os tempos da juventude Antônio Carlos Coelho participava ativamente de manifestações populares, principalmente os movimentos de caráter comunitário, chegando a presidir entidades estudantis. Teve incursões no setor de comunicação, dirigindo a sucursal de Feira de Santana dos Diários e Emissoras Associados. Ingressou na vida pública como oficial de gabinete no governo de Francisco Pinto, em 1963. Dirigiu o Iabseb, o Centro Industrial do Subaé (Cis) e foi diretor de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal (no Governo Tarcízio Pimenta assumiu como secretário da mesma pasta). Nascido em Salvador, conquistou espaço na política de Feira de Santana. Eleito vereador pela primeira vez em 1970, cumpriu oito mandatos, sendo quatro vezes presidente da Câmara Municipal. Foi responsável pela reforma que reestruturou totalmente ao prédio da Casa da Cidadania. Como presidente do Legislativo, substituiu o prefeito José Falcão em duas oportunidades, em 1973 e 1974, por alguns dias.

José Raimundo Pereira de Azevedo (1971-1977) O vice que sempre virou prefeito
Seus pais residiam em um povoado do Município de Santo Estevão e ele nasceu em Salvador, mas é difícil imaginar que o professor José Raimundo Pereira de Azevedo não seja feirense. Porque ele é, senão de direito, de fato. Em Feira de Santana fez o ginasial e logo cedo decidiu-se pelo Magistério, provavelmente por influência da mãe e das tias, também educadoras. Formado pelo Instituto de Educação Gastão Guimarães (IEGG), posteriormente licenciou-se em Ciências com habilitação em Matemática pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Iniciou a carreira de professor no próprio Gastão Guimarães, depois Escola Técnica, Colégio João Durval Carneiro e várias outras escolas da rede particular de Feira de Santana e de outros municípios. Em 1970, aos 21 anos, foi eleito vereador, sendo o mais votado e também mais jovem. Dois anos depois foi reeleito, mas não assumiu a vaga, optando por ocupar a Secretaria da Educação, a convite do então prefeito José Falcão da Silva. Em 1976, eleito vice-prefeito na chapa de Colbert Martins da Silva, assumiu o Governo Municipal em 1982, ficando oito meses à frente da administração. Deixou sua marca no Teatro Municipal Margarida Ribeiro e Câmara Municipal e construiu alguns prédios escolares. Foi assessor parlamentar da Câmara Municipal por cinco anos consecutivos e em 1992 voltou a compor chapa majoritária na condição de vice-prefeito, dessa vez com João Durval Carneiro. Novamente assumiu a Secretaria da Educação e em março de 1994 substituiu o prefeito municipal. Em 1999 foi secretário Extraordinário para Assuntos Interinstitucionais e mais tarde, secretário de Cultura, Esporte e Lazer no governo de Clailton Mascarenhas. Foi responsável pela mudança da Micareta da avenida Getúlio Vargas para a avenida Presidente Dutra.

Otaviano Ferreira Campos (1973-1992) 
Uma “fera” na política feirense
Fuzileiro naval, chefe de departamento em companhia de importação imobiliária e comerciante no ramo de combustível foram algumas atividades de Otaviano Ferreira Campos, que chegou a ser nome de bairro na cidade (Otavianópolis, hoje Novo Horizonte). Mas o seu forte era mesmo a política. Figura de destaque no antigo MDB, depois PMDB, a “fera” foi vereador por 20 anos e, como presidente do Legislativo (duas vezes), assumiu o cargo de prefeito algumas vezes. A Câmara Municipal o contemplou com homenagens, dentre as quais colocando o seu nome em duas escolas da rede municipal, uma na sede e outra na zona rural.

Antônio Carlos de Alencar e Marinho (1979-1982) 
Prefeito por sete dias
Natural de Rui Barbosa, Antônio Carlos de Alencar estudou desde as séries iniciais em Feira de Santana e graduou-se em Odontologia, profissão que exerceu na cidade por vários anos. Na carreira pública foi assessor de gabinete da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e sub-secretário de Saúde do Município de Simões Filho. Vereador pelo MDB (1979 a 1982), foi vice-presidente da Câmara Municipal por uma legislatura, com atuação destacada em defesa dos interesses populares e no combate ao golpe militar, instituído em 1964. Como presidente da Câmara Municipal exerceu o cargo de prefeito interino durante sete dias, no ano de 1979.

José Ronaldo de Carvalho (1983-1989) 
Aprovação popular inquestionável
O jovem José Ronaldo de Carvalho ingressou na Prefeitura de Feira de Santana como datilógrafo, pouco depois de concluir o segundo grau no Colégio Santanópolis e antes da graduação em Administração pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Também ocupou a diretoria administrativa da Surfeira, autarquia municipal então responsável pelas obras. Atuou na área industrial e na Saúde destacou-se como diretor administrativo e financeiro do Hospital Dom Pedro de Alcântara e provedor da Santa Casa de Misericórdia. Iniciou a carreira política em 1976, quando disputou uma vaga para a Câmara Municipal ficando na suplência. Na eleição seguinte, em 1982, voltou a concorrer e surpreendeu com a maior votação do pleito. Em 1986 foi eleito deputado estadual, mantendo-se no cargo por três mandatos. Participou da elaboração da Constituição do Estado. Terceiro deputado federal mais votado na Bahia em 1998, foi relator de diversos projetos importantes. Em 2000 retornou à Prefeitura, como prefeito, e governou a segunda maior cidade da Bahia por oito anos consecutivos, sempre com altos índices de aprovação popular. Ainda como prefeito dirigiu a União dos Municípios da Bahia (UPB) no biênio 2005/2006. Fez viagens internacionais para Jena e Frankfurt, na Alemanha e Marseille na França, em caráter administrativo, para obter experiências em gestão municipal. Dentre suas principais obras estão a construção de viadutos em vários pontos da cidade, o Parque da Cidade e o Museu Parque do Saber. Tornou-se liderança do PFL, depois Democratas. Voltou a ser prefeito de 2011 a 2015 e reeleito está nessa condição.

Tarcízio Suzart Pimenta Junior (1993-1994) 
Duas paixões: a medicina e a política
O filho de Tarcízio Suzart Pimenta e Maria Mercês Pimenta tem um currículo profissional invejável. Feirense de nascimento, estudou na Escola Nossa Senhora do Rosário e no Colégio Estadual de Feira de Santana. É médico formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 1983, com especialização em Cirurgia Geral no Hospital Roberto Santos. É professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) desde 1984. Acumulou experiências na área de Saúde, dentre elas a função de médico do Hospital Dom Pedro de Alcântara, no período de 1984 a 1997. Iniciou a carreira política como vereador em Feira de Santana (1993 a 1994), com expressiva votação, pelo PMDB, na época sob a liderança de Colbert Martins da Silva. Deputado estadual entre 1995 e 1999, foi reeleito para o segundo mandato (1999 a 2003). Na Assembléia Legislativa da Bahia integrou várias comissões e ocupou cargos na Mesa Diretiva. Destacou-se como relator da CPI dos Combustíveis. Em 2006 foi reconduzido ao Legislativo Estadual pela quarta vez, com um total de 63.864 votos. Mesmo exercendo o mandato não abandonou a sua missão como médico, mantendo sua agenda de atendimento ambulatorial e cirurgia nos hospitais, especialmente em Feira de Santana. Em 2008 foi eleito prefeito de Feira de Santana.
FONTES DE PESQUISA:
Arquivo Público Municipal de Feira de Santana
Arquivo da Câmara Municipal de Feira de Santana
“Inquilinos da Casa da Cidadania”, de Lélia Vitor Fernandes de Oliveira
“Dicionário Personativo, Histórico, Geográfico e Institucional de Feira de Santana”, de Oscar Damião de Almeida
EQUIPE:
Coordenação – Renato Ribeiro
Pesquisa – Alessandra Ribeiro
Pesquisa e Texto – Madalena de Jesus
Finalização – Hilneide Araújo e Vinicius Cazumbá
Colaboração – Elisiana Almeida, Marieta Ribeiro Moreira e Juliana Santos
Originalmente divulgado em 30 de junho de 2009.

Aproveitando esta parte da história, lembra-me de dois possíveis candidatos a prefeito no próximo ano em Feira de Santana,; o Ex Vereador Deputado Pastor Tom Vereador Beto Tourinho, Fernando Torres e Zé Neto todos ja decididos em disputarem o próximo pleito municipal para majoritária em 2020.

Aguardemos o fluxo da história!

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