Calçadas de Feira e o drama das pessoas com deficiência

Voz de Feira

Embora bastante divulgado pelos veículos de comunicação, a acessibilidade como elemento essencial da mobilidade urbana pouco evolui nas ruas da cidade de Feira de Santana. Os problemas de locomoção enfrentados diariamente no meio urbano pelos portadores de alguma deficiência são constantes.

Pegar um ônibus, atravessar uma rua ou até mesmo caminhar pelas vias publicas é um obstáculo para o Francisco da Costa, aposentado, 56 anos, deficiente visual que passar por essa dificuldade diariamente.

“Muito difícil, pois as calçadas não têm nivelamento, calçadas cheias de buracos. Outros obstáculos também encontro no centro da cidade, como exemplo: carros de mão, barracas e placas de propagandas”, diz Francisco.

Ele acrescenta: “eu não vejo nenhum avanço nesta questão de mobilidade e acessibilidade nas ruas da cidade. O elementar nós não temos que é uma pista tátio, rampas nas ruas, semáforos com sonorização. Já procurei vereadores para discutir sobre esses projetos de mobilidade urbana, e eles relataram que só poderá colocar o projeto em prática depois de tirar as barracas e os camelos do centro da cidade, e eu não posso esperar por isso para me locomover pelas ruas”, fala indignado o aposentado.

A assistente social da Casa dos Conselhos, Lidiane Boaventura, conta que a realidade da cidade de Feira de Santana é complicada, pois existem poucas ruas adaptadas e acessíveis à pessoa com deficiência. “Feira de Santana é uma cidade que possui uma arquitetura antiga e atualmente é que essas discussões estão vindo à tona. Hoje é que os portadores de alguma deficiência estão percebendo que devem lutar por seus direitos e vem participando desses diálogos entre a administração municipal”, explica Boaventura.

A profissional ainda acrescenta: “nós percebemos sim um avanço em alguns lugares da cidade com rampas e calçadas niveladas, mas a busca constante do conselho é mobilizar e lutar o juntamente com as pessoas portadoras de alguma deficiência pelos seus direitos, uma vez que essa população vem crescendo na cidade”.

Providências

Nossa equipe de reportagem procurou o secretário de planejamento do município, Carlos Brito, que falou sobre as obras já adapta para a mobilidade urbana e as outras que já estão sendo orçamentadas e planejadas pela prefeitura. “Para iniciar quaisquer projetos voltados para a acessibilidade e mobilidade urbana será preciso antes retirar o comércio informal do centro da cidade, pois aquele trecho da Salles Barbosa, da Marechal Deodoro e da Senhor dos Passos estão todos ocupados. Como vamos colocar o piso tátio em cima de barracas? Por isso será preciso primeiro a remoção para a efetivação do projeto. Sem falar que é uma questão de educação e conscientização da população feirense”, conta Brito.

Ele acrescenta: “mas é preciso salientar que existem obras municipais que estão sendo construídas pensando na questão da mobilidade urbana. Como por exemplo, o shopping popular, com rampas e piso adequadospara o portador de deficiência visual e física”, argumenta o secretário.

Normas

A calçada ideal deve ser bem conservada e permitir que as pessoas possam caminhar com segurança, em um percurso livre de obstáculos e de forma compartilhada com os diversos usos e serviços.

A construção adequada, a pavimentação e a manutenção das calçadas trazem grandes benefícios para os usuários das cidades, em especial aos portadores de mobilidade reduzida. Por tudo isso é preciso atenção na configuração desse espaço.

As normas pré-estabelecidas para a construção de calçadas são ditadas na grande maioria pelo Município, entretanto, na totalidade as leis são muito parecidas. Recomenda-se consultar a administração regional para saber das regras do seu município para obras de calçadas.

Também é necessário que o proprietário do imóvel tenha informação da rede de esgoto e de abastecimento de água, de forma subterrânea, como caixa de registro da companhia abastecedora de água, saída de esgoto entre outras informações básicas e necessárias.

Folha do Estado

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