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Bolsonaro acumula termos pejorativos sobre Nordeste.

Voz de Feira

O uso do termo ‘pau de arara’ para se referir a assessores nordestinos e o equívoco ao mencionar o Estado de origem de Padre Cícero são os episódios mais recentes de uma série de controvérsias que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem colecionado ao falar sobre o Nordeste. A maior rejeição à reeleição do chefe do Executivo no País vem justamente dessa região, principal reduto eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas o histórico das declarações de Bolsonaro não reúne apenas gafes, inclui também diversos afagos aos nordestinos.

Em julho de 2019, ao fazer uma crítica ao governador do Maranhão, Flávio Dino (então no PC do B), o mandatário resumiu todos os Estados do Nordeste ao termo “Paraíba”, fala que foi considerada pejorativa. “Daqueles governadores de ‘Paraíba’, o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”, disse o presidente na ocasião.

A declaração gerou reação dos governadores nordestinos, sobretudo de Dino, que manifestou “espanto e profunda indignação”. Poucos dias depois, Bolsonaro tentou reverter o desgaste em sua imagem ao inaugurar um aeroporto em Vitória da Conquista, na Bahia. No evento, o chefe do Planalto chegou a usar um chapéu tipicamente associado à cultura nordestina.

Ainda naquele mês, o presidente afirmou que o Nordeste é “sua terra” e que ele se sente à vontade para andar por qualquer lugar do território brasileiro. “Sou amigo do Nordeste, poxa. Por que essa história? Vocês mesmos da mídia querem separar o Nordeste do Brasil. O Nordeste é Brasil, é minha terra e eu ando qualquer lugar”, disse. Em outra ocasião, provocado a comentar a repercussão de sua fala preconceituosa inicial, ele replicou: “tem algum nordestino ofendido?”.

Em agosto daquele ano, ainda comentando a declaração contra Flávio Dino, Bolsonaro disse ao Estadão que, em seu entendimento, governadores do Nordeste agiam para “dividir o País”, enquanto ele trabalharia para unir.

Em novembro de 2020, o presidente cometeu mais uma gafe e errou a localização de duas cidades enquanto visitava a região. Ao explicar por que seu voo não pousaria em determinado lugar, o chefe do Executivo afirmou que o município de Paulo Afonso ficava em Alagoas, mas a cidade é na Bahia. Em seguida, o mandatário se confundiu novamente e disse que a cidade de Piranhas ficava em Sergipe. Esta, sim, fica em Alagoas.

No fim do ano passado, o presidente foi muito criticado por não interromper sua viagem a lazer em Santa Catarina para acompanhar pessoalmente o resultado das chuvas na Bahia, que deixaram desabrigados e mortos. O ato repercutiu entre personalidades e políticos e se somou à lista de controvérsias do mandatário envolvendo os Estados da região. Após as críticas, diante de tragédia semelhante em municípios de São Paulo, o presidente esteve no Estado para anunciar apoio às cidades mais atingidas. terra

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