Pref. Colbert Martins revela que “não sabe quase nada do shopping popular”, mas solicitará apoio da PF e do MP para investigar a situação de cada investidor.
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Por Cloves Pedreira

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Nesta quinta-feira, 28, durante reunião promovida pela Associação Feirense dos Vendedores Ambulantes (AFEVA), o vereador Luiz da Feira,  solicitou ao prefeito Colbert Martins Filho mais atenção ao camelô e afirmou que o Município tem omitido informações para esclarecer dúvidas referentes ao Centro de Comércio Popular.

“Agradeço ao prefeito por ter aceitado o convite e peço que dê mais atenção ao camelô, escute o povo, pois até aqui não tivemos espaço para tirar dúvidas e obter informações referentes ao Shopping Popular”, disse o Vereador.

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O encontro ocorreu no Centro Paroquial Senhora Sant’Ana, e na oportunidade, Luiz da Feira apresentou a pauta buscando informações sobre valores, tempo de carência, quem terá direito aos boxes e quais são as lojas âncoras que serão instaladas no Shopping Popular.

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Com a palavra o vice-presidente da Afeva, Robson Leite, tornou público a insatisfação dos camelôs, e cobrou de Colbert, a garantia de que os estrangeiros não terão espaço no empreendimento.

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E também de acordo com o vice-presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Feira de Santana, Robson Leite, os vendedores estão com muitas dúvidas acerca do shopping, e os valores que serão cobrados pelos boxes. Além disso, há evidências de que chineses estariam tentando comprar box.

“Nós provocamos essa reunião com o prefeito pra gente tirar dúvidas referentes ao Centro Comercial Popular. Ficamos surpresos porque ele nos disse que também não sabe quase nada do shopping popular. Precisamos fazer novos encontros pra tirar essas dúvidas, e estamos aqui cobrando, pois os valores que foram cobrados são exorbitantes e muitos ambulantes não têm condição de pagar. Custam R$ 80 o metro quadrado mais a taxa de condomínio, que a gente ainda não sabe. E outra preocupação é em relação a várias denúncias de que os chineses estão usando laranjas pra ter os boxes lá dentro, mas esse empreendimento está sendo feito para os camelôs do centro da cidade”, informou Robson Leite.

“Queremos transparência na condução desse projeto, pois a maneira como as coisas estão sendo conduzidas não tem agradado o camelô que é o principal interessado nesse empreendimento”, afirmou Robson

O deputado estadual Carlos Geilson que também se fez presente, pontuou a importância dos camelôs se manterem unidos. “Essa luta é de vocês”, considerou observando que “o Centro de Comércio Popular foi concebido para o camelô. Me recuso acreditar que esse empreendimento será ocupado também por estrangeiros”, concluiu Geilson.

Colbert Martins, por sua vez, afirmou:

“Onde tiver recurso público, seja em qualquer equipamento, a presença do estrangeiro não será permitida”, disse o prefeito. Colbert declarou inclusive que solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público que verifiquem a presença de estrangeiros em situação ilegal no município.

Também participaram da reunião o presidente da AFEVA, Pedro José da Silva, os advogados Magno Felzemburgh e Márcia Xavier, e Sandro Santana, representando a Associação dos Vendedores Ambulantes de Feira de Santana (AVAMFS).

O advogado da associação, Magno Felzemburg, enfatizou que o shopping popular está sendo construído para atender aos camelôs da Sales Barbosa, Marechal Deodoro e Senhor dos Passos.

“É uma parceria público-privada com alto investimento do poder público. E não é só o dinheiro que a prefeitura gastou, mas o terreno também entra como participação no projeto, então vale muitos milhões. O município deve ter o controle sobre aquilo. A parceria vai ser explorada por 35 anos e o empresário tem muitas garantias, mas foi criado para o camelô”.

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Felzemburg revelou que existem denúncias sobre um empresário chinês ter visitado o shopping se dizendo investidor da área, e depois o empresário do consórcio deu uma entrevista numa emissora de rádio dizendo que estava vendendo 300 lojas para o setor privado, as quais seriam lojas âncoras.

“Então isso tudo é uma farsa para poder vender. E a informação que recebemos é que as 300 lojas estão vendidas justamente para o chinês, que tem capital para investir na Bahia e no Brasil. Mas se eles querem investir, que seja numa área privada, e não numa área pública, como o shopping popular. Porque o dinheiro do shopping foi feito com o IPTU, é com o dinheiro do cidadão. Ninguém tem nada contra os chineses e são bem-vindos em nosso país. A questão é que aquela área é pública e foi feita com essa finalidade: acabar com o problema do centro comercial. É por isso que esse shopping existe”, salientou.

O prefeito Colbert Martins afirmou que os vendedores encaminharam suas dúvidas e eu vai se reunir com os grupos responsáveis pelo empreendimento.

“Não há nenhum problema com a transparência dos recursos públicos que estão sendo gastos. Nenhum equipamento da prefeitura onde tenha qualquer estrangeiro nós vamos admitir. Onde tiver recursos públicos, os estrangeiros não podem entrar. E vamos pedir à Polícia Federal e o Ministério que nos acompanhem para investigar a situação de cada investidor”.

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